A Crise do Quarto de Século




Acabei de fazer 25 anos na passada sexta dia 26. Fazer 25 anos é uma data engraçada ("o quarto de século"), mas também é atingir uma marca, daquelas que existem várias na vida.


O pessoal já começa a dizer: "É pah, tamos a ficar velhos!" e começamos a comentar coisas que foram "ainda o outro dia" e de repente apercebemos-nos que já passaram 6, 7 ou 8 anos (senão mais!). Aos 18, uma história com 8 anos era uma história de infância, do século passado! Acho que o problema é que 24 é ter vinte e pouco e isso é porreiro mas, de repente, 25 já é ter vinte e tal (a apenas 5 dos 30...). Os anos parecem, agora, correr.


Não quero que me interpretem mal! Estou feliz por ter 25 anos e por tudo o que fiz até hoje (e espero vir a fazer nos próximos anos); a crise vem de fora. Quando se chega aos 25 começa-se a pensar nos sonhos todos que ainda não se realizaram e sobretudo naqueles que já se esperava ter feito.... e, pior de tudo, vêm aí as perguntas (sobretudo em família) sobre o nosso estado carreira/relações.


Comecemos com as relações... então sendo mulher, ao chegar aos 25, é assim: se está casada é "coitadinha que é tão novinha"; se está solteira é melhor ir pensando no assunto porque "coitadinha, o tempo está a contar"; e se está numa relação estável é "então para quando o casório e juntar trapinhos?".


Quanto ao curso ou à carreira a pessoa até se cansa de ouvir: "então já acabaste?", "já estás a trabalhar?". Bem, se o curso ainda não está acabado (meu caso!) já estamos em desespero a querer acabar com aquela porcaria de vez, e fartos de ver como, não só os nossos amigos já acabaram, como temos de aturar putos mais novos que também já acabaram, ou pior, putos como nossos colegas! =P Ás vezes é inevitável pensar, será que somos burros?... mas, no fundo, acho tudo se resume a uma (ou umas) cadeira(s) que anda(m) pendurada(s) há séculos e já se tornou no maior pastel da nossa vida. Quando se começa a trabalhar, das duas uma, ou se aceita que a vida é para ir vivendo e que o dinheiro não é tudo (mesmo com todos os olhos sobre nós) ou se põe a "cabeça a prémio" por um salário que não se vai ter vida para usufruir... Seja qual for a escolha, todos gostaríamos de receber o salário mas ter a vida de estudante antiga.


Resumindo, é uma idade de transição e interrogações, vendo já como pano de fundo os "trintas" daqui a apenas 5 anos. Então aí será o adeus ao jovem (mais ou menos) responsável e o olá ao (pseudo) adulto! Enquanto essa crise não chega, tratem de aproveitar bem esta: a crise do quarto de século!

2 comentários:

Anónimo disse...

Compreendo-te perfeitamente! É genial, adorei este parágrafo:
"(...) começamos a comentar coisas que foram "ainda o outro dia" e de repente apercebemos-nos que já passaram 6, 7 ou 8 anos (senão mais!). Aos 18, uma história com 8 anos era uma história de infância, do século passado!". Quando me lembro que moro há mais tempo na minha casa de Lisboa (para onde me mudei com a entrada na Universidade, aos 18) do que na casa para onde me mudei com apenas 13 anos, até me faz confusão à cabeça!

Faltam-me uns poucos meses para os 25, e ainda o outro dia eu e os meus amigos (maioritariamente de 1985 - aquele ano da boa colheita!!, no entanto quase todos com o curso por concluir, vai-se lá saber porquê...) conversámos precisamente sobre isso. É bom saber que há mais gente a pensar no mesmo. Então essa do "Então já acabaste?"... uhmmm... se tivesse acabado, avisava!! Lol. É complicado... aquele tipo de conversas que uma pessoa evita ao máximo.

Bem, posto isto, muitos parabéns pelo aniversário, e também pelo blog! O título é divertido, e verdadeiro (nada como cantar em alturas de desespero) e o design bastante interessante.

Catarina Alves

C3-PO disse...

Obrigada pelo comentário! E feliz "quarto de século"! ;-)*

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